Comida gostosa, um bom papo e histórias de família

Uma noite inspiradora com Valéria Mortara

4 março, 2015 por Tatiana Ribeiro

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Começou com um pedido de entrevista especial para o Dia Internacional da Mulher. Eu e a Duda queríamos compartilhar com vocês receitas de mulheres que admiramos e que agradam os pés vermelho com sua alquimia na cozinha.

Perguntamos à Valéria Mortara, nutricionista por formação e cozinheira por paixão, se não topava nos ensinar uma receitinha. Ela não só aceitou, mas também nos convidou para jantar em sua casa, pra provar o famoso nhoque de semolina.

Chegamos ao apê da Valéria meio tímidas, mas a energia do lugar e dessa mulher já nos arrebatou logo de cara. A gata Janis Joplin deu aquele oi meio esnobe heheh e logo partimos pra cozinha.

Nada de formalidades. Valéria é dessas mulheres cheia de si e de luz. Tinha acabado de chegar em casa e já estava dando forma à um banquete que seria inesquecível. Com uma agilidade tão natural, gostosa de se ver.

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Cozinhar é coisa séria!

Tão séria que quando volta pra casa na hora do almoço, Valéria falou que vai adivinhando o que cada apê tá preparando. Perguntei a ela se cozinhar era realmente um dom, ou e se era nada mais que prática:

“Cozinhar é mais ter bom senso do que tudo! É como se vestir, você sabe combinar roupas, sabe o que fica bom com o que, e se não sabe, tem que experimentar. A frase que me define na cozinha é ‘e se…’. ‘E se eu trocar este ingrediente por este, se eu colocar menos disso aqui e assim vou criando receitas.”

Essa criatividade toda deve ter a ver com a mistura engraçada que é sua família: o pai, italiano de Milão, e a mãe, uma química pernambucana.

“Minha mãe aprendeu a cozinhar com a sogra! Esse nhoque é receita da mãe do meu pai”.

Pergunto se é a receita da família:

“Na verdade, meus irmãos não se lembram direito. Mas eu nunca esqueço, minha mãe costumava preparar a massa com pedacinhos bem pequenos de presunto cru. É a comida favorita da Alice, minha filha”.

Sou jornalista tímida e adoro quando me deparo com esses entrevistados que falam bastante, que contam coisas encantadoras e você nem precisa fazer as perguntas que escreveu no bloquinho. Hehehe.

E a noite foi exatamente assim, jogando conversa fora enquanto o famoso nhoque era preparado. Sem cerimônias, sem gourmezisse, bem italiana, bem pernambuca, bem tudo junto.

A cozinha começava a ficar perfumada! Era a focaccia de alecrim  e outra de zatar no forno.

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“Todo mundo que vêm em casa come essa focaccia!”

Pedimos a receita dessa maravilha, mas isso é segredinho que só é revelado em um dos cursos do Espaço Colher.

Valéria foi montando a mesa com seu guacamole feito com cominho e uma pimenta que ela mesmo preparou, berinjela e abobrinha com cebola e uva branca, nata, relish de pepino e o seu gengibre.

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Pensem num tempero único!

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Nata e pão. Minha vida nunca mais será a mesma após essa descoberta de almas gêmeas.

Nata e pão. Minha vida nunca mais será a mesma após essa descoberta de almas gêmeas.

Eis o brinde! E o papo seguiu aquele fluxo gostoso de quando você senta à mesa daquela mulher que você admira de longe, e quando vê sente tão próxima. Amizade feminina. Eis uma das delícias de ser mulher. Isso nos inspira, nos faz se posicionar, nos fortalece.

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E a história dela é muito legal. Ela nunca soube “o que queria ser”. Fez várias faculdades e nada rolava. Até que ela se inscreveu em um curso do Senac, na época não tinha esse negócio de gastronomia e pá. O curso era técnico mesmo, para formar cozinheiro!

“O professor pegava pesado comigo, fazia eu lavar a louça e os serviços mais pesados”

Depois de andanças veio parar em Londrina, e então a água ferveu de vez e ela resolveu retomar os estudos, dessa vez cursando Nutrição.

Mas seu negócio não é restringir isso ou aquilo para emagrecer a todo custo! Fã de Michael Pollan, ela também acredita que cozinhar é praticamente um ato político. E é por isso que ela gosta mesmo é de ensinar o preparo e criar junto aos seus clientes/alunos.

Essa formação de vida, foi o que a fez criar o Espaço Colher, um cantinho dedicado a mostrar na prática que comer certo pode ser muito bom, barato e adaptável à realidade de cada um.

Papo vai, papo vem. E o nhoque está gratinado! Acho que essa imagem fala mais que muitas palavras:

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Pensem numa comfort food divina, porém leve e extremamente aconchegante e cheirosa! O molho, caseiríssimo de tomate com azeitonas, é opcional. “Essa receita a gente come assim mesmo, só com a manteiga amolecida ou nata fresca e queijo ralado polvilhado.”valéria-mortara-06 valéria-mortara-01 valéria-mortara-03

E ainda tinha a sobremesa. Um manjar bem levinho, pra fechar a noite com chave de ouro.

Tanta coisa boa como essa sabe por quanto? Menos de R$30. Isso mesmo, tá errado quem pensa que pra cozinhar bem tem que gastar dinheiro.

Noite inspiradora e uma nova receita para testar!

Nhoque de Semolina (para 4 pessoas)

Ferver 3 xícaras de leite com 1 xícara de água, 2 colheres de manteiga, 1 colher (café) de sal, noz moscada à gosto (como eu gosto muito… capricho!).

Pouco antes de ferver, juntar, mexendo sem parar, 1 e 1/2 xícaras de semolina de trigo, despejada aos poucos (os livros antigos falam “em chuva”).

Vai ficar como se fosse uma polenta grossa, solta da panela. Desligar o fogo, juntar 50g de parmesão ralado e 2 ovos, batendo bem.

Derramar a massa em uma assadeira. Com as mãos úmidas, acertar, até que fique uma camada de mais ou menos 1 dedo de altura. Deixar esfriar muito bem.

Cortar em cubos, arrumar num refratário untado. Cobrir com manteiga amolecida ou nata fresca, polvilhar queijo ralado e levar ao forno alto, para gratinar.valéria-mortara-21valéria-mortara-19 valéria-mortara-18 valéria-mortara-17Pode ser servido com um molho bem grosseiro de tomates sem pele, azeite, alho e azeitonas pretas.

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Valéria e Miles Daves, que apareceu só na hora que estávamos indo embora <3

Tatiana Ribeiro

"Bem por isso mesmo diz o caboclo: a alegria vem das tripas — barriga cheia, coração alegre. O que é pura verdade" - Cora Coralina.
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